Se você é fã de
Gilmore Girls ou
Parenthood, o nome Lauren Graham não é estranho para você. A eterna intérprete de Lorelai Gilmore resolveu se lançar no mundo da literatura em 2013, muito impulsionada por aquela que sempre foi sua ídola, Diane Keaton (Obrigada, Diane!). Obviamente, o livro foi lançado sobre grande expectativa e, acreditem, não deixou nada a desejar.
Li esse livro na época do lançamento e esse ano, movida pela presença constante de Lauren na internet devido ao
revival de
Gilmore Girls, eu reli a obra. E foi maravilhoso perceber que hoje ainda me sinto tão cativada pelas palavras dela como na primeira vez.
Franny tem um sonho: ser atriz. Mas ela não quer se tornar uma daquelas pessoas que não reconhecem quando as coisas não vão dar certo. Ela embarcou para Nova York em busca desse sonho prometendo a si mesma que se em um prazo de três anos ela não conseguisse, voltaria para casa. Agora faltam apenas seis meses para o fim deste prazo e a carreira da nossa protagonista está longe de deslanchar. Tudo que ela conseguiu até agora foi um emprego de garçonete, um comercial de suéteres de natal e muitos e muitos “nãos”.
O livro é lucidamente baseado nas experiências de Lauren em busca de seus sonhos. Franny se dedica nas aulas de teatro, mergulha de cabeça nos seus personagens e é absurdamente cativante por um único motivo: ela é humanamente palpável. Ela está longe de ser aquela protagonista perfeita, pelo contrário, ela é cheia de falhas, composta por um mistura de autoconfiança e inseguranças que se aproximam de qualquer leitor. Os questionamentos dela são aqueles que poderiam ser facilmente os meus e os seus
"O que eu estou fazendo é certo? Eu deveria mesmo insistir? O quão importante é seguir meu sonho? ” E o principal deles:
"Porque é tão difícil alcançar aquilo que almejamos?"
Os personagens que acompanham nossa protagonista nessa jornada também são cativantes: temos Jane que é o perfeito exemplo de amiga-irmã que está pronta para fazer as maiores loucuras ao seu lado e te apoiar, mas, ao mesmo tempo, te dizer quando está passando dos limites e agindo como uma completa idiota. Dan, é aquele ombro amigo para todas as horas que todo mundo precisa ter. E as pessoas que acompanham Franny são muito importantes para que ela segure a barra de como é difícil chegar até onde queremos. Afinal, sempre que temos medo ou estamos receosos, recorremos aos nossos amigos, certo? No livro não poderia ser diferente.
"Como meu pai, o grande diretor da Broadway Irving Sparks, sempre costumava dizer: "Todos nós temos que começar de algum lugar". Então comece de algum lugar, qualquer lugar, e me dê uma ideia do que você gostaria de fazer".
Fiquei me perguntando o quanto das experiências de Franny, Lauren realmente viveu. O desespero que, no fundo, acompanha todos nós, de estarmos fazendo tudo quanto é possível, dando nosso melhor e tudo que parecemos receber são
“nãos” e portas na cara. Não precisa perseguir o sonho de atriz para sentir essa realidade. E aqui está a grande lição do livro:
perseverança.
Não é porque tudo dá errado no começo que você precisa desistir. Se você realmente acredita naquilo, se você realmente sonha com algo e não pode se imaginar sem aquilo, você precisar lutar para alcançar esse objetivo.
Continuar preenchendo as páginas em branco da melhor forma que você puder até os “nãos” se transformem em “sim”. Sempre ter noção das suas inseguranças, mas não deixar que elas dominem você por completo, como a própria autora nos diz:
"Preciso apresentar a parte de mim que se sente vencedora à parte de mim que está convencida que sou uma perdedora, e ver se elas não conseguem aceitar uma existência próxima ao meio - termo".
Ver as páginas da agenda de Franny no decorrer do livro também foi um artificio maravilhoso pois tornou a leitura bem mais dinâmica e divertida. As várias anotações demonstrando suas emoções e os lembretes básicos do ser humano, do tipo comprar comida, te conectam com a personagem de uma maneira muito simples. A realidade presente no livro é maravilhosamente cativante.
Além da perseverança, outra lição que o livro passa de forma bastante forte é que: precisamos nos valorizar. Todos enxergam Franny como uma moça confiante e linda, mas as inseguranças da personagem não permitem com que ela se veja assim e, com frequência na obra, ela se autodeprecia. Acho interessante pegar nessa questão porque nós, num contexto geral, precisamos entender que somos suficientes e precisamos aprender a admirar nossas próprias qualidades ao invés de ressaltar os defeitos. Amor próprio e se auto valorizar são extremamente importantes também, viu?
O livro é um clássico
Chick lit (já que a Lauren é fã do gênero!), temos triângulos amorosos, temos o menino babaca que parece especial, o menino especial que demora para ser reconhecido como tal, muitas histórias engraçadas e diálogos afiados (que a Lauren já domina bem) e as quase 400 páginas fluem rápido na leitura. Você se pega sorrindo no final da leitura imaginando as infinitas possibilidades no futuro de Franny. Espero que ela tenha se saído tão bem quanto Lauren Graham se saiu.
“E depois estou andando de novo na rua num momento lindíssimo, justo quando o sol está sumindo, sabendo que não tenho que trabalhar como garçonete esta noite, que consegui meu segundo trabalho pago em duas semanas, e posso andar num passo despreocupado pela Quinta Avenida e imaginar que, quem sabe, um dia, entrarei numa dessas lojas em vez de simplesmente passar com olhar faminto pelas vitrines; que, quem sabe, um dia, estarei carregando uma bolsa de verdade e usando salto alto como uma mulher adulta, em vez de andar pela Quinta Avenida com coturnos da Doc Martens, um avental, um saca-rolhas e um removedor de migalhas em minha mochila de lona. Quem sabe um dia, quem sabe.”