Esse texto pode conter spoliers de Vingadores : Guerra Infinita!
Abrindo uma série de textos em que iremos debater alguns pontos mais específicos de
Vingadores: Guerra Infinita, trago um tópico que me surgiu durante o filme e que me fez refletir muito durante os dias que seguiram. A relação de
Thanos com a
teoria Malthusiana.
A Teoria Populacional de Thomas Malthus
Vamos primeiro explicar o que é essa teoria.
Thomas Malthus era um sacerdote e economista na Inglaterra do século XVIII e escreveu sua
Teoria Populacional. Segundo ele, o crescimento da população (alavancado pela
Revolução Industrial) seria tamanho que o mundo não seria capaz de alimentar à todos. Assim ele aponta que seriam necessárias medidas de controle populacional para evitar a escassez de alimentos.
Essa teoria não levou em conta vários fatores que surgiram com o tempo, como o avanço tecnológico, que auxiliou a produção de alimentos em uma escala muito maior, e a entrada das mulheres no mercado de trabalho, assim com sua emancipação, que foram fundamentais no controle de natalidade.
O personagem Thanos
Não podemos aqui pegar só o exemplo de personagem criado para o cinema. O personagem
Thanos dos quadrinhos surge em
Homem de Ferro #55 (1973) e vai tendo sua mitologia construída no decorrer dos anos. Em geral ele é o Titã Louco, apaixonado pela
Morte. Nessa busca por um amor não correspondido ele decide que a melhor forma de presentear sua amada é destruir o universo.
No
Universo Cinematográfico da Marvel isso foi brutalmente deixado de lado. Aqui
Thanos não possui esse amor louco, pelo contrário, suas ambições são críveis de certa forma. Agindo como um pretenso "salvador", ele busca a destruição de "apenas" metade do universo, para equilibrar as coisas.
Louco ou Malthusiano?

A partir do momento em que o filme deixou claro a motivação de
Thanos, eu passei a me perguntar o porquê de tal mudança. Em um universo onde temos androides, super-soldados e deuses, por quê ele amar a
Morte seria tão ruim? Muito se disse antes do filme que até mesmo
Hela, vilã de
Thor: Ragnarok, poderia ser sua amada.
Porém os diretores tentaram explicar que essa mudança se fez necessária para que tudo se conectasse à história da vida de
Thanos. Mesmo que essa alteração tenha fugido da estrutura básica do vilão, no filme ela acaba funcionando muito bem.
Chega um momento do filme que você compra a ideia do
Titã. Mesmo que isso signifique matar metade das pessoas do Universo, terá um resultado bom no longo prazo, certo? A
Marvel consegue então o impensável. Depois de centenas de vilões fracos, que só serviam para completar a jornada do herói, temos um vilão pelo qual realmente nos importamos.
Torcer por ele é um pouco forte, ainda mais porque isso significa ver personagens que acompanhamos por 10 anos virarem pó, mas mesmo assim fica aquela sensação de que ele tinha um bom motivo. Talvez.
Dentro da
Teoria Malthusiana, o Universo não teria recursos o bastante para sustentar à todos, por isso
Thanos precisa fazer o que fez. Por isso ele é elencado à uma posição de um Deus por sua
Ordem Negra. Ele se baseia em uma motivação crua, para solucionar um problema. Não poderia ele ter, com o poder das
Jóias e da
Manopla, salvado à todos? Gerado mais recursos? Os distribuído melhor?
Talvez esse seja o ponto. Ele crê em sua teoria. Mas também é
Louco.