Rose
passeia de bicicleta pelo bosque perto da sua casa quando de repente é engolida
por uma cratera no chão. A cena intriga os bombeiros que chegam ao local para
resgatá-la: uma menina de onze anos caída na palma de uma gigantesca mão de
ferro.
Dezessete
anos depois, Rose é ph.D em Física e é a nova responsável por estudar o
artefato que encontrou ainda criança. O objeto permanece um mistério, assim
como os painéis que cercavam a câmara onde foi deixado. A datação por carbono
desafia todas as convenções da ciência e da antropologia, e qualquer teoria
razoável é rapidamente descartada.
Quando
outras partes do enorme corpo começam a surgir em diversos lugares do mundo, a
dra. Rose Franklin reúne uma equipe para recuperá-las e montar o que parecer
ser um robô alienígena gigante quase tão antigo quanto a raça humana.
Mas,
uma vez montado o quebra cabeça, ele se transformará em um instrumento para
promover a paz ou para causar destruição em massa?
Sci-fi, alienígenas, conspirações, e EUA no centro de tudo? O que mais
amo.
Sabe a
escrita desse livro? Ele é diferente, demais! E o por quê? Ela é contada através
de entrevistas, e uma ou outra reportagem, onde um cara incógnito do Exército
(acho) americano faz as entrevistas, compila em Arquivos numerados, para saber
os detalhes, do que está acontecendo enquanto as peças são achadas e montadas. O
único capítulo que posso dizer que foi “normal” é o prologo, em que a Rose caiu
no buraco que a mão estava, em que é a narrativa dela é em primeira pessoa.
Depois
dessa pequena visão que temos de uma das principais da historia, o livro começa
com as entrevistas, inclusive, a que abre é a da Rose, contando como foi, já
adulta, ser responsável por descobri a historia da mão, e achar o resto do
corpo do robô. E a partir disso são introduzidos os outros personagens da
historia, a piloto responsável por achar as peças, e seguir as recomendações da
Rose, o copiloto dela, e o linguista, que foi chamado para decifrar a linguagem
que foi achada junto com alguma das peças ao longo do livro. As “visões” dos
três são também apresentadas pelas entrevistas, com esse incógnito na historia.
Então,
sobre o modo de escrita desse livro: estranhamente bizarro e legal. Por que
assim, você não tem exatamente a visão dos personagens, tem-se uma visão meio
cortada, já que ao mesmo tempo você sabe o que eles tão passado e também não
sabe, já que as perguntas do senhor que está no comando dessa operação as faz
de forma capciosa, e eles demostram quem são, e quase todas as emoções, o que
eles acham uns dos outros, e ainda assim é limitado, fazendo com que foquem
mais no desvendar do próprio mistério, e as relações interpessoais fiquem mais
em segundo plano. Eu, particularmente, achei fantástico. Além do que, esse cara
que fez todas as entrevistas: é um mistério sem fim sobre quem é esse cara, não
fala de qual órgão de fato ele é, só que esse doido tem as mais loucas conexões,
sempre conseguindo aquilo que ele quer, incluindo as coisas mais bizarras possíveis.
Agora,
falando no mistério do robô: tudo que envolve a historia de como as partes
desse robô vieram para na Terra, em que época (o mais interessante é que o
robô, que é do sexo feminino e tem 6000 anos) é mais antigo que a humanidade,
no sentido racional, já que por mais que existisse humanos, a época em que os
aliens deixaram o robô na Terra, a humanidade estava começando a dar seus
primeiros passos de bebê.
E a
partir disso, surge uma das melhores teorias sobre o por que de que os alienígenas
nunca tentaram contato com a Terra: como já falaram que se alguém a alguns anos
luz da Terra virasse e olhasse para o nosso planeta, veria a Terra
correspondente a distancia do outro ser, como por exemplo, se o e.t olhasse
para cá a 4000 anos luz, ele veria a Terra a 4000 anos luz no passado. Então,
por que não deixar algo para o futuro, para que assim se soubesse quando a
humanidade estaria pronta para ter contato, e entendesse a linguagem dos
visitantes?
A
pergunta que reside, assim que terminar a montagem, do que se descobriu ser uma
mulher com trajes de guerra, é que: para que esse robô de fato vai servir? Já
que, a piloto da historia conseguiu se ligar a robô, e tem acesso de alguma
forma a tecnologia, só não sabendo interpreta-la totalmente ainda. E através dessa
descoberta, invariavelmente começa a se descobrir mais, mesmo que as perguntas
que surgem sejam bem mais e complexas. Será se os e.t vão querer dominar a
terra com esse robô? Ou sei lá, vai servir para guerra? Ou paz? Enfim, muitas
perguntas!
Assim,
eu já amo um bom sci-fi e uma boa conspiração, seja ela militar, governamental
e etc. Esse livro juntou isso tudo de uma maneira única no linguajar e da
escrita. O autor soube colocar bem todos os elementos, soube conduzir bem a historia,
e escrever ao ponto de não deixar nada confuso sobre como as entrevistas eram
levadas. E mesmo no quesito da Dra., que tinha uma linguagem mais rebuscada, o
autor colocou de uma forma que a própria parecesse se comunicar com o público, através
do cara das entrevistas sobre tudo, os mistérios do robô, das coisas mais
complicadas, da linguagem que estava sendo traduzida, tudo. Achei bem legal.
Título: Gigantes Adormecidos Autor: Sylvain Neuvel
Editora: Suma de Letras
Páginas: 307
Ano: 2016