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Title: [C.NERD] RESENHA - CELULAR
Author: Diário de Seriador
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Resenha originalmente publicada no blog Epifanias Imperfeitas.   Onde você estava no dia 1º de outubro?  O protagonista desta his...
Resenha originalmente publicada no blog Epifanias Imperfeitas. 

Onde você estava no dia 1º de outubro?  O protagonista desta história, Clay Riddell, estava em Boston, quando o inferno surgiu diante de seus olhos. Bastou um toque de celular para que tudo se transformasse em carnificina. Depois de anos de tentativas frustradas, o artista gráfico Clay Riddell finalmente consegue vender um de seus livros de histórias em quadrinhos. Para comemorar, decide tomar um sorvete. Mas, antes de poder saboreá-lo, as pessoas ao seu redor, que por acaso falavam ao celular naquele momento, enlouquecem. Fora de si, começam a atacar e matar quem passa pela frente. Carros e caminhões colidem e avançam pelas calçadas em alta velocidade, destruindo tudo. Aviões batem nos prédios. Ouvem-se tiros e explosões vindos de todas as partes. Neste cenário de horror, Clay usa seu pesado portfolio para defender um homem prestes a ser abatido, Tom McCourt, e eles se tornam amigos. Juntos, eles resgatam Alice Maxwell, uma menina de 15 anos que sobreviveu a um ataque da própria mãe. Os três sortudos — entre outros poucos que estavam sem celular naquele dia — tentam se proteger ao mesmo tempo em que buscam desesperadamente o filho de Clay. Assim, em ritmo alucinante, se desenrola esta história. O desafio é sobreviver num mundo virado às avessas. Será possível?



A história é centrada em Clay, Tom e Alice. Os três se encontram nessa situação bizarra de apocalipse zumbi moderno e não se desgrudam mais. E eles tem personalidades bem diferentes. Confesso que gostei do protagonista, ele conseguia ser bastante prático e racional numa situação dessas que para ele era bem maia complicado.

Isso porque para ele, além de se manter vivo, há um filho e uma ex mulher me jogo. Não se sabe o que aconteceu com eles e Clay pretende reencontra-los, isso é o seu guia. Tom também era um cara bacana, embora fosse demasiadamente apegado ao seu gato (me identifiquei com  ele nessa parte, não sei ficar sem meus felinos) e Alice tinha aquele dom de ser uma líder mesmo aos 15 anos. E eu amei ela no livro, porque ela foi a personagem mais forte da história e sempre foi bondosa. Ela foi atacada pela própria mãe em meio ao caos, ela perdeu tudo - aos 15 anos- e mesmo que ela tivesse medo e pesadelos no meio da noite, ela se manteve firme, foi fácil me apegar a ela.

Como o livro se desenrola com base nestes personagens você acaba conhecendo um pouco mais sobre eles e isso é muito bacana, ver as diferentes reações que eles podem ter aos diferentes acontecimentos e como as pessoas se apegam umas as outras de forma bastante natural em situações de risco. Você acaba tendo outra percepção do todo, de como amizades podem vir de onde menos se espera - assim como a hostilidade. Se o livro trata muito da natureza humana, a descrição da personalidade dos personagens são fundamentais para isso e, acreditem, satisfaz bastante.

O enredo do livro de leva a imaginar o mundo sobre aquelas circunstâncias. O que você faria se toda a cidade começasse a enlouquecer na sua frente? É quase um convite a insanidade. E a história é surpreendente. Você acha que compreendeu todo o contexto e, então, a história vira e nada é tão simples assim. Essas reviravoltas te prendem e fica difícil largar o livro depois disso.


Antes de qualquer coisa, eu preciso ressaltar que sou encantada pelas obras de Stephen King. Ele não é o rei do horror por qualquer motivo. A forma como ele escreve, como se desenrolam as histórias, os elementos, as características... tudo. É absolutamente fantástico e, por isso, não me canso de ler suas obras. E ele é um especialista em usar elementos simples e fazer algo virar gigantesco. Ele já nos assustou com palhaços, poderes telecinéticos e, neste livro, ele vem nos assustar com uma versão moderna do "apocalipse zumbi".

Sim, zumbis. Porém, esses zumbis não são mortos – vivos como sempre vemos, eles são pessoas normais que entram num estado de transe, tendo apenas as necessidades básicas de sobrevivência como guia, atacando umas as outras, sem racionalidade. E o pior, para se tornar um deles é bem simples: basta atender o celular.

Acho que essa é a grande carta na manga de Stephen King, ele coloca elementos corriqueiros, coisas que poderiam te atingir, coisas que estão ao seu alcance e, logo, te tornam vulneráveis também. O terror é de um nível psicológico forte porque ele coloca em jogo sentimentos, razões, dualidades humanas. Você se sente parte do contexto e se pergunta o que você faria naquela situação.

A história é narrada em terceira pessoa, porém, o foco é sempre Clay, junto com seus fiéis companheiros não fonáticos (como os zumbis são chamados no livro). Você acha que entendeu toda a história, até que ela vira totalmente. Aquilo que antes era um fato consumado, de repente muda. Não são apenas instintos de sobrevivência que os guiam. Tem algo mais, tem algo por trás. E você fica incrivelmente ansioso para ver o que é esse “algo mais”.

A questão do instinto de sobrevivência, se agir com seus instintos primários até me lembrou de Saramago em “Ensaio sobre a Cegueira”, o que foi bem bacana também. O livro acaba entrando em questões humanas bem profundas, na importância dos laços afetivos, o bem e o mal, e várias outras pontas interessantes se de analisarem.

Com toda a certeza, um livro do mestre King que eu me arrependo de não ter lido antes. Ah, Stephen não possui um telefone celular.


AUTOR: Stephen King
PÁGINAS: 400
EDITORA: Objetiva
LANÇAMENTO: 2007
ONDE COMPRAR: Clique aqui.
10 Ago 2014

Sobre o Autor

 
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