É
hora de arrumar a casa. Após um "Chapter 14" agitado, House of Cards entrega uma sequência
que tem como função estabelecer os novos rumos da série. Dirigido novamente por Carl Franklin, neste
episódio vemos Frank em uma situação peculiar. Sua ascensão a vice-presidência
traz, a priori, uma potência aparente, e não um poder real. Isso pode ser visto
durante quase todo o episódio. Sua casa é transformada em uma fortaleza (nem
jogar God of War: Ascension ele pode) e na imprensa o tratam apenas como um
tapa-buraco até 2016. Toda a privacidade lhe é tirada. Até suas ligações podem
ser expostas pelo solitário Lucas, que através da Deep Web tentará provar que
Frank está diretamente ligado as mortes de Russo e Barnes. Porém, o ápice de
sua impotência se mostra na cena em que é obrigado a condecorar McGuiness, um
militar que no passado estuprou Claire.
Aliás,
nesses novos rumos que a série está tomando, Claire ganha mais destaque. A
forma como ela lida com o estupro mostra uma mulher pragmática que utiliza de
sua raiva para alcançar seus objetivos. Para ela as emoções devem ser
ferramentas de auxílio na obtenção de nossas ambições. É essa a mensagem que
ela passa para seu marido enquanto conversam na cama.
A
partir daí Frank mostra que, apesar de algumas situações, ele não é nada
impotente. Mesmo cercado, ele usa a dica de Claire contra Raymond Tusk, o
bilionário que exerce enorme influência sobre o presidente Walker. Assim, através
de um jogo político envolvendo a Secretária de Estado Catherine Durant, ele consegue
magistralmente controlar a atitude do presidente em relação a China, que acaba
por prejudicar os negócios que Tusk tem no país. Com isso ele passa a reverter
a situação inicial e aumentar sua influencia na presidência em detrimento de
seu antagonista.
Já no
que tange à política doméstica, a saga de Jackie Sharp pelo cargo de líder da
maioria toma forma. Arrisco até a dizer que esta trama foi a mais interessante
de todo o episódio. Nesse ponto é interessante notar que Frank acerta em cheio
ao defini-la como implacavelmente pragmática.
Mesmo
Jackie colocando Howard Webb e Wes Bunchwalter um contra o outro, era
necessário mais para impedir que eles se unissem. Assim, para ter reais chances
de vencer a corrida pela liderança, ela não mostra remorso (na verdade ela o demonstra
por alguns segundos) ao humilhar e enterrar a carreira política de Ted Havemeyer,
seu padrinho político. E detalhe, ela faz isso informando a imprensa da filha
ilegítima dele que sofre de paralisia cerebral. Só Frank mesmo para achar
alguém tão pragmático quanto ele.
Dessa
forma, "Chapter 15" pode não ter tido o mesmo impacto que o episódio anterior,
mas foi extremamente competente em começar a definir as bases do desenvolvimento
da nova temporada. E sabe de uma coisa, me fez até esquecer de Zoe Barnes.
Esse episódio teve tanta quotes geniais que não poderia deixar de colocá-las aqui. Segue a lista:
1· ''Cathy, se não gosta de como a mesa está posta,
vire a mesa'' - Frank a Secretária de Estado Catherine Durant
2· ''Você só pode me oferecer é Ética, que ninguém
quer''. - Howard Webb a Wes Buchwalter. Apesar do contexto, é emblemático que num
ambiente tão sujo a ética é dispensável. Qualquer semelhança com a nossa Câmara
dos Deputados não é coincidência.
3· ''Estou a um passo da presidência e nenhum voto foi
feito em meu nome. A democracia não é tudo que dizem.'' - Frank quebrando a
quarta parede em sua posse como Vice-presidente.