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Title: [REVIEW] FRINGE PRIMEIRA TEMPORADA
Author: Diário de Seriador
Rating 5 of 5 Des:
Vamos imaginar as impossibilidades?  Afinal de contas, muita coisa aconteceu aqui e muitas ainda vão acontecer. Fringe surgiu em 2008 ...
Vamos imaginar as impossibilidades?  Afinal de contas, muita coisa aconteceu aqui e muitas ainda vão acontecer.
Fringe surgiu em 2008 na vida dos seriadores sendo apontada como o novo sucesso da TV por um motivo simples e ele tem nome: J.J Abrams. Com o fim de LOST próximo, todos estavam ansiosos pela sua nova produção. E Fringe surge com um piloto de nível cinematográfico, com 90 minutos de episódio onde muita coisa acontece e somos introduzidos em toda a insanidade maravilhosa a que a série nos proporcionou.

Na primeira temporada somos convidados a acompanhar um festival de casos bizarros, muito comparados a Arquivo X, que incluíam seres humanos se transformando em monstros, um menino empático, transmorfos e por aí afora. Mas, no fim, ela é uma grande cortina de fumaça na série, onde vários plots são apresentados, várias convicções são colocadas à prova e a coisa mais normal que vemos é a nossa amada Gene, a vaca. Sim, porque de tanques e monstros a série está cheia.

O incidente no voo 627 de Boston realmente era apenas o começo e, por isso, somos apresentados aos objetos de estudo e investigação da Divisão Fringe. O Padrão, uma série de eventos não correlacionados, exceto por um fato: todos são peculiares e não podem ser explicados pela ciência convencional. Eles precisam da Ciência de Borda (Fringe Science).

A Ciência de Borda, basicamente, toma para si casos onde nem sempre conseguimos explicações empíricas, o que para muitos é motivo de descrença, para outros abre um leque de possibilidades de estudo de novas áreas da ciência. Esses eventos do padrão ocorrem por todo o território dos EUA, e se todos os caminhos levam a Roma, todos os Eventos Fringe levam à Massive Dynamic. A empresa criada por Willian Bell - que muitos ouvimos sobre, mas nunca vemos- que tem como porta voz Nina Sharp, sempre aparece de alguma forma conectada aos casos do padrão.  


Em meio a isso tudo temos também os Observadores que, aparentemente, transitam pelo tempo para observar eventos importantes – e não raramente catastróficos – mas, teoricamente, não interferem em nada. (Frisem bem o teoricamente porque o que eles interferem não é brincadeira).

Mas o verdadeiro plot aparece na série através do vilão David Robert Jones. Com ele o Universo Paralelo ganha seu espaço e mostra que ele é quem comanda a série. Quando Olivia consegue cruzar deste universo para o alternativo, ela se encontra com Willian Bell – sim, ele finalmente aparece  nas Torres Gêmeas, porque sim, do outro lado elas continuam inteiras. Por que Olivia? Porque ela é foda? Também, mas não só por isso. Ela, e mais um grupo de crianças na faixa dos três anos, tinham participado de testes comandados por Walter e Willian com uma droga que aumentava a percepção e deu para nossa pequena Liv a habilidade, entre várias outras, de cruzar entre os universos. O Cortexiphan.

Para fãs de ficção científica isso já seria um prato cheio, mas Fringe é uma série de pessoas, e pessoas se relacionam. E esses relacionamentos são tratados de forma brilhante pela série. A falta de sanidade do Walter, unido a um Peter sem paciência mais 17 anos de afastamento de pai e filho, cria uma relação instável no começo, mas depois eles começam a se acertar e acharem seu ponto de equilíbrio. Peter aprende a lidar com seu pai e as coisas começam a se ajeitar de forma muito bonita e tocante. Outra relação que nunca me cansarei de falar é: Walter e Astrix, Astro, Aspirin... digo, Astrid. Ela é talvez a pessoa que mais entende e esteja ao seu lado ao lado de Walter, sempre sabe o que dizer e o que ele vai precisar e isso, para ele, é essencial.

Mas sou shipper, minha gente, e se eu não falar que desde o momento que Olivia chega no Iraque e diz “Peter Bishop? Olivia Dunham, do FBI” não seria eu. Apenas por aqueles dois tinham uma relação gostosa de ver e perceber o crescimento. Olive – sou íntima, eu posso – tinha acabado de perder o homem que amava e ela é, por essência, fechada. A principal característica de Olivia, e neste ponto somos parecidas e talvez por isso eu tenha adotado a personagem, é a sua reclusão em seu próprio mundo. Ela não tem riso fácil, ela canaliza as emoções e foca em investigar, mas ao mesmo tempo, ela é um caminhão de sentimentos que, por não serem falados e mostrados, às vezes explode. Ela é aquela pessoa que vai atrás do que quer, nem que esta coisa esteja no Iraque – e seja alguém, neste caso. Ela vai fundo, se joga e não pensa nas consequências. Um pai que era violento e a manda cartões de “Feliz Aniversário” para ela todos os anos, podem ajudar muito com isso. Mas Peter se importa com elas, (ahh, essa cena é linda, a cena...não a lesma) e eles tem uma sintonia fora do normal, mas nada de muita alegria para shippers nesta temporada. 

Walter é amado por 10 entre 10 fãs de Fringe. E com razão. Quem não gostaria de tomar um milkshake de morango com ele? Ele é um personagem fantástico que encanta pela simplicidade. Ele consegue pensar em comida mesmo quando o caso é nojento, consegue lembrar da infância do Peter vendo a cabeça careca de alguém. E te faz chorar. Quando ele tenta lembrar algo que não consegue, quando é atacado verbalmente pela Olivia na confeitaria, quando se emociona de alguma forma. Quando vê o que os testes com o Cortexiphan causaram nas crianças – não acho seja arrependimento, mas sim puro pesar – ele te emociona. O nosso cientista louco, com QI de 196, língua afiada e dono de uma simpatia fora do comum é amado incondicionalmente e, no fim, percebemos que ele também ama incondicionalmente e é capaz de tudo pela família. E me deixem levantar um apontamento: CADÊ EMMY PARA JOHN NOBLE, PRODUÇÃO?! Ele atua de forma fantástica e, se não fosse por ele Walter não sairia tão perfeito como nos foi dado. Obrigada, John Noble.

E tem as relações simples e lindas de sua forma natural: Olivia e Rachel, Ella, Charlie e até mesmo Broyles. Ouso dizer que sempre amei a relação de Charlie e Olivia, porque não importa o quão insana fosse a teoria da Olive ou quão fraco fosse seu argumento, ele ia com ela. Até o fim. 


A série dá um show nos efeitos especiais, eles se preocupam com que tudo pareça o mais real dentro do possível, e conseguem. Os efeitos especiais, a trilha sonora, os atores, a direção, é tudo em tanta sincronia que fica difícil não se encantar pela série. Assistir Fringe é quase um teste e, ouso dizer correndo o risco de ser tachada de arrogante, a série não é para preguiçosos. Com o tempo você percebe que apenas assistir não resolve, você precisa pesquisar. Se deixar levar e se deixar envolver. Se questionar e questionar aquilo que você acredita. Com Fringe, sua capacidade de pensar, fazer associações, perceber detalhes e ligar pontos é essencial para acompanhar a série. Por várias vezes eu me sentia desafiada, meu intelecto – que nem chega perto de um QI 196 – era testado caso após caso. E era frustrante eu não chegar a certas conclusões. Mas essa era a graça. A beleza por trás de charadas que nem sempre você sabe a resposta. 

Essa temporada serviu para que o público criasse laços e conhecesse mais os personagens. Serviu de introdução para o sucesso e o carinho que ela viria a atingir.  Para quem achava que Fringe era mais um Arquivo X, o plot do Universo Alternativo, onde cada um teria uma versão alternativa, nos levar a imaginar o que a série planejava para seu futuro. Aliás, Fringe é uma série sobre presente, passado e futuro, como um molda o outro e é essencial para o outro. A sensação que fica depois da primeira temporada é que ela foi um grande episódio piloto dividido em outros 22. A segunda temporada viria com a storyline mais aprofundada do Universo Alternativo e o que ele nos iria render. E digo de antemão, foi maravilhoso.
13 Jan 2014

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