Na primeira temporada somos convidados a acompanhar um festival de casos bizarros, muito comparados a Arquivo X, que incluíam seres humanos se transformando em monstros, um menino empático, transmorfos e por aí afora. Mas, no fim, ela é uma grande cortina de fumaça na série, onde vários plots são apresentados, várias convicções são colocadas à prova e a coisa mais normal que vemos é a nossa amada Gene, a vaca. Sim, porque de tanques e monstros a série está cheia.
O incidente no voo 627 de Boston realmente era apenas o começo e, por isso, somos apresentados aos objetos de estudo e investigação da Divisão Fringe. O Padrão, uma série de eventos não correlacionados, exceto por um fato: todos são peculiares e não podem ser explicados pela ciência convencional. Eles precisam da Ciência de Borda (Fringe Science).
A Ciência de Borda, basicamente, toma para si casos onde nem sempre conseguimos explicações empíricas, o que para muitos é motivo de descrença, para outros abre um leque de possibilidades de estudo de novas áreas da ciência. Esses eventos do padrão ocorrem por todo o território dos EUA, e se todos os caminhos levam a Roma, todos os Eventos Fringe levam à Massive Dynamic. A empresa criada por Willian Bell - que muitos ouvimos sobre, mas nunca vemos- que tem como porta voz Nina Sharp, sempre aparece de alguma forma conectada aos casos do padrão.
Mas o verdadeiro plot aparece na série através do vilão David Robert Jones. Com ele o Universo Paralelo ganha seu espaço e mostra que ele é quem comanda a série. Quando Olivia consegue cruzar deste universo para o alternativo, ela se encontra com Willian Bell – sim, ele finalmente aparece – nas Torres Gêmeas, porque sim, do outro lado elas continuam inteiras. Por que Olivia? Porque ela é foda? Também, mas não só por isso. Ela, e mais um grupo de crianças na faixa dos três anos, tinham participado de testes comandados por Walter e Willian com uma droga que aumentava a percepção e deu para nossa pequena Liv a habilidade, entre várias outras, de cruzar entre os universos. O Cortexiphan.
Para fãs de ficção científica isso já seria um prato cheio, mas Fringe é uma série de pessoas, e pessoas se relacionam. E esses relacionamentos são tratados de forma brilhante pela série. A falta de sanidade do Walter, unido a um Peter sem paciência mais 17 anos de afastamento de pai e filho, cria uma relação instável no começo, mas depois eles começam a se acertar e acharem seu ponto de equilíbrio. Peter aprende a lidar com seu pai e as coisas começam a se ajeitar de forma muito bonita e tocante. Outra relação que nunca me cansarei de falar é: Walter e Astrix, Astro, Aspirin... digo, Astrid. Ela é talvez a pessoa que mais entende e esteja ao seu lado ao lado de Walter, sempre sabe o que dizer e o que ele vai precisar e isso, para ele, é essencial.
Walter é amado por 10 entre 10 fãs de Fringe. E com razão. Quem não gostaria de tomar um milkshake de morango com ele? Ele é um personagem fantástico que encanta pela simplicidade. Ele consegue pensar em comida mesmo quando o caso é nojento, consegue lembrar da infância do Peter vendo a cabeça careca de alguém. E te faz chorar. Quando ele tenta lembrar algo que não consegue, quando é atacado verbalmente pela Olivia na confeitaria, quando se emociona de alguma forma. Quando vê o que os testes com o Cortexiphan causaram nas crianças – não acho seja arrependimento, mas sim puro pesa
E tem as relações simples e lindas de sua forma natural: Olivia e Rachel, Ella, Charlie e até mesmo Broyles. Ouso dizer que sempre amei a relação de Charlie e Olivia, porque não importa o quão insana fosse a teoria da Olive ou quão fraco fosse seu argumento, ele ia com ela. Até o fim.
Essa temporada serviu para que o público criasse laços e conhecesse mais os personagens. Serviu de introdução para o sucesso e o carinho que ela viria a atingir. Para quem achava que Fringe era mais um Arquivo X, o plot do Universo Alternativo, onde cada um teria uma versão alternativa, nos levar a imaginar o que a série planejava para seu futuro. Aliás, Fringe é uma série sobre presente, passado e futuro, como um molda o outro e é essencial para o outro. A sensação que fica depois da primeira temporada é que ela foi um grande episódio piloto dividido em outros 22. A segunda temporada viria com a storyline mais aprofundada do Universo Alternativo e o que ele nos iria render. E digo de antemão, foi maravilhoso.