O que fazer com uma família tão complicada que a cada 90 dias precisa mudar de cidade, de país, pois embora ameaçada pela máfia, ela não consegue se manter longe de problemas a cada nova moradia?! O que fazer com essa família se corre em seu sangue o estilo de vida mafioso, mas você tem como principal responsabilidade mantê-los vivos no programa de proteção às testemunhas?! O filme The Family, dirigido pelo francês Luc Bessom, gira em torno dessa trama...seria mais um filme clichê, se não contasse em seu elenco com nada menos que Robert De Niro como o patriarca mafioso da família, e Michelle Pfeiffer como a matriarca com uma “leve” tendência a incendiar tudo e todos que a contrariam.
Luc Besson, que também dirigiu “O Quinto Elemento” e “Busca Implacável 2”, usa e abusa da larga experiência de Robert De Niro no papel de mafioso, mas consegue ir além, desperta no ator não só o que ele tem de melhor nesses papéis, mas também um humor mordaz e sarcástico; prova disso é quando o mesmo elenca o porque deve ser considerado um “bom homem”, que só eliminou “desafetos”.
Mafioso “aposentado”, Giovanni Manzoni resolveu um dia sair da máfia e entregar todos os seus antigos aliados, o que fez com que ele e toda a família, incluindo seu cachorro, passassem a ser perseguidos, sendo então incluídos no Programa de Proteção a Testemunhas, chefiado por nada menos que Tommy Lee Jones, no papel do agente do FBI Stansfield, responsável direto pelo bem estar da família, que além de Robert De Niro e Michelle Pfeiffer, conta ainda com Dianna Agron no papel da filha mais velha, e John D´Leo como o caçula.
Depois de mudarem de cidades e países por várias vezes, a família é transferida para a França, mais especificamente para a Normandia, onde é acompanhada sistematicamente por Stansfield e outros dois agentes do FBI. De início até tentam se adequar ao novo país, a nova escola e principalmente aos seus novos vizinhos, mas logo velhas “tradições” mafiosas começam a tomar conta da família – assim Giovanni, que precisou mudar seu nome para Fred Blake, começa a acumular sob suas costas algumas mortes e surras naqueles que o contrariam, assim como a esposa e os filhos passam a resolver seus problemas da forma “mafiosa de ser”.
Uma cena antológica é quando Belle, personagem de Dianna Agron, sofre assédio de alguns colegas de escola e resolve a situação da forma como acha mais viável...espanca um dos meninos com nada menos que uma raquete de tênis, e só para quando a raquete está destruída...e o menino também.
O filme segue um ritmo um tanto quanto morno, especialmente quando trabalha questões como o envolvimento de Belle com um professor substituto, as questões do filho mais novo com os problemas que surgem na escola, assim como a forma como a matriarca tenta se integrar ao dia-a-dia da cidade, indo a Igreja e proporcionando inclusive um churrasco para os vizinhos, porém consegue trazer dentro desses mesmos momentos situações cômicas que dão um tom leve e agradável à história.
O ritmo só se acelera e consegue fazer o telespectador torcer pela manutenção da vida da família mafiosa quando os antigos aliados de Giovanni da máfia os encontram e vão em busca de vingança. As cenas de ação são muito boas, especialmente as cenas em que os filhos e até o cachorro, batizado de Malavita, resolvem tentar salvar a vida do casal.
O que dizer desse filme com um elenco e trilha sonora fabulosos, que de forma despretensiosa envolve o telespectador?! Não, definitivamente não é uma das grandes produções lançadas em 2013, embora a atuação quase caricatural do elenco faça o filme crescer à medida que vai se aproximando do seu ápice. Sim, é uma comédia quase água com açúcar, que poderia muito bem ser reapresentada em dias chuvosos na sessão da tarde; mas para além do roteiro frágil e pouco ambicioso, o filme nos apresenta uma história que parece começar como um drama, mas que acaba por se transformar em uma comédia gostosa, leve, que pode surpreender e abocanhar alguns prêmios importantes no corrente ano...Robert De Niro que o diga, com sua interpretação quase displicente, mas ao mesmo tempo magistral, de mais um mafioso de sua maravilhosa carreira gângster.



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